Eu sou o Ursinho Puff

Fotografias de Benjamin Béchet / Odessa / Picturetank / Agência Olhares

Incrível Hulk, 44 anos, músico no metro.

Incrível Hulk, 44 anos, musico no metro.

As retóricas populistas que se nutrem do descontentamento e do pavor generalizado identificam inimigos e cultivam as raízes da intolerância e da xenofobia; tiram do esquecimento antigos ideais territoriais instrumentalizando um conceito que tomou um lugar cada vez maior no discurso político e nas conversas de botequim : a identidade.

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Construção histórica e cultural, a identidade, como no-lo ensinam os antropólogos, é fluida, múltipla, aberta e contextual. Cada um de nós pode possuir várias delas até o infinito : uma, nenhuma e cem mil, citando Pirandello. Mas a identidade é primeiro, relacional : a definição do Nós passa pela negação do Outro. 
Quando caiem nas mãos de ambições políticas, as identidades cristalizam-se em regionalismo, fanatismo religioso, político ou territorial. E quando o outro é marginal ou precário, as consequências imediatas são a exclusão e a violência. 


Homem-Aranha, 36 anos, limpador de para-brisas.

Homem-Aranha, 36 anos, limpador de pára-brisas.

Através duma manipulação irônica da identidade, Eu sou o Ursinho Puff pretende provocar uma reflexão sobre a estigmatização do Outro, encenando os pavores e as contradição nela vinculada. Roma, a cidade onde nasceu o projeto, é um viveiro de micro-identitarismo que sempre refere-se a uma “romanidade” ou ao império romano.

A cidade é o teatro duma onda de intolerância e de violência aberta contra uma parte da população que encarna essa alteridade temida e negada. 
Figuras marginais, trabalhadores ilegais, sem documentos … 
Pessoas invisíveis ou ovelhas negras: sobre essas identidades complexas e diversificadas, cola-se um rótulo que simplifica e denigre o outro. 



Batman, 33 anos, frentista.

Batman, 33 anos, frentista.

Vestimos-los com roupas de super-heróis , ícones, celebridades conhecidas por todo o mundo globalizado. Pra se lembrar que uma pessoa nunca é o que vemos dela, mas sempre algo mais complexo, que cada identidade é parcial, que somos todos um só, nenhum e cem mil. texto : Federica Romano

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