Ecovilas: Os Cidadãos da Terra

Reportagem de Benjamin Béchet/Odessa/Picturetank/Agência Olhares

Na América Latina, grupos de cidadãos se organizam e propõem modelos de vida durável.

Contexto: o continente americano é um eldorado do mundo globalizado; encontram-se todos os recursos necessários: água potável (maiores reservas mundiais), biodiversidade, gás e petróleo.
Pauta: do norte do México até os pampas argentinas, mulheres e homens se organizam em ecovilas. Eles estão procurando um modo de vida em harmonia com o ecosistema que os abriga.
Angulo: as iniciativas dos cidadãos: uma reposta à falha ecológica de nossas sociedades.
Frente à depredação dos recursos do planeta, as eco-vilas preparam o caminho para um novo desenvolvimento possível e nos mostram como viver fora do sistema de consumo. Travessia do continente e mergulho no coração da vida cotidiana desses cidadãos da terra.

Para acessar à reportagem inteira – contato : desk@agenciaolhares.com.  Breve, link no banco de imagem.

Numa pequena ecovila auto-suficiente nas pampas argentinas, quatro famílias já vivem na era pós-petróleo. Eles propõem um modelo de vida exportável, trocam sementes raras com o resto do mundo e praticam a agricultura natural, devolvendo aos pampas sua fertilidade.
Como eles, centenas de membros do Global Ecovillage Network pensam que é possível viver em abundância e proteger os recursos naturais ao mesmo tempo. Em função do eco-sistema e do contexto, cada um experimenta um caminho para conseguir. Um mesmo objetivo para realidades diferentes. A chave do sucesso: trabalhar de mãos dadas com a natureza e não contra ela.

Assim, à dois passos da cidade frenética de São Paulo, há trinta anos, dez jovens se reuniram ao redor de um experimento de agricultura biodinâmica. Hoje em dia, quinhentas pessoas vivem no que se tornou um eco bairro, uma verdadeira ilhota urbana de verdura, que atrai trabalhadores e estudantes vindo da metrópole. À alguns milhares de quilómetros de lá, na Colômbia, no coração de imensas plantações intensivos de café e de banana, Hernando decidiu de recusar os modelos impostos aos agricultores pelos barões do café: tornar-se jornaleiro agrícola ao serviço deles ou vender as suas próprias terras e partir para a cidade. Ele preferiu ficar com a sua parcela de um hectare e transformá-la num paraíso de biodiversidade, permitindo-lhe de alimentar de maneira significante sua família.

Autonomia, modelo pelo exemplo, utilização de tecnologias apropriadas, reapropriação dos utensílios de trabalho: esses valores unem todas as ecovilas encontrados. Essas iniciativas dos cidadãos põem as bases de uma nova relação com a terra e poderiam tornar-se um modelo adaptável em todo lugar no mundo.

Percurso:

Gaia está pronta para a era pós-petróleo.

Cecilia playing; in the background, the future communal house and Gaia's office.

À uma hora de Buenos Aires, no meio dos pampas de solo estéril, uma dezena de pessoas construíram uma comunidade auto-suficiente.
Gaia é uma ecovila harmoniosa e equilibrada tirando o melhor partido dos recursos à disposição. As suas idéias e práticas da vida durável são reconhecidas em todo cone sul da América Latina.

A fazenda da Mama Lulu, à escuta da natureza

Mama Lulu, Hernando's mother, is making a milk jam, which will be selling in the farm's grocery.

Em trinta anos, Hernando construiu uma fazenda modelo, um paraíso de biodiversidade com rendimentos surpreendentes. Observando o ecosistema e graças à tecnologias inovadores e adaptadas, Hernando tira o máximo de proveito de sua parcela de um hectare. A sua família reencontrou dignidade e autonomia.

Hernando, filho da Mama Lulu, frente a uma casa de bambu.

Los Guayabos: luxo, calmo e ecologia

Yvonne is walking around with her horse in the neighbourhood.

À dez minutos da segunda maior cidade do México, Guadalajara. Los Guayabos é um bairro residencial para uma classe media que, sem renunciar ao conforto, coloca em prática estratégias de vida durável. Graças à construção em material ecológico, reciclagem, tratamento de água e reflorestamento, essa experiência oferece uma alternativa suave ao modelo urbano clássico.

Demetria, a sabedoria do homem

Some of the farm products are sold in a shop on the premises and some on an organic market in São Paulo.

Em 1973, uma dezena de jovens pioneiros se instalam numa terra árida para colocar em prática uma experiência de agricultura biodinâmica. Ao redor dessa fazenda se desenvolveu um bairro no qual hoje vivem mais de quinhentos residentes e que atrai cada dia novos habitantes vindo da cidade vizinha mas também de São Paulo, à três horas de distancia. As razões: a qualidade de vida, uma escola Waldorf renomada na região, várias atividades e comércios biológicos e equitáveis.
Em Demetria um novo desenvolvimento nasceu dos campos.

Pachamama, construir a comunidade

German & his wife, Juan, Marta and Antonio at the weekly meeting

Na província de Quindio, cinco famílias da classe media coabitam com um objetivo comum: estar auto-suficientes. Frente às carências do estado, eles escolheram a iniciativa individual para melhorar a qualidade de vida, preservando ao mesmo tempo o ambiente. Entre os obstáculos econômicos e a dificuldade de cortar a ligação com a cidade, Pachamama avança suavemente mas certamente em direção a um projeto de vida durável que também é um sonho.

Ipema, a escola de terreno

Laura and Natalia in their vegetable garden.

Na origem, Marcelo Bueno, criou um centro demonstrativo de permacultura (agro-ecologia). Mas Ipema também é um lugar de passagem para estagiários e voluntários que vivem lá; uma dezena de pessoas que aprendem a viver juntos e praticar uma agricultura perene.

San Isidro, um negocio de família

At San Isidro school, students learn how to recycle, cultivate and live together.

Nos anos cinqüenta, Carlos Cabellero começa o reflorestamento das terras de sua região natal  graças os métodos de biodinâmica. Hoje em dia, Alejandra, a sua filha continua o trabalho, com o toque dela. O projeto San Isidro se tornou um centro de formação em eco construção, uma escola alternativa freqüentada por setenta alunos do bairro rural vizinho e uma fazenda biológica. Tudo isso formando uma proposição integral de vida durável.

Tiba, o arquiteto descalço

Johan Van Lengen, at home. "There are things you cannot explain. If you have intuition, follow it! The time of analysis will come afterward."

Em 1982 Johan van Lengen escreve L’architecte aux pieds nus (O arquiteto descalço), um dos primeiros manuais tornando a eco-construção acessível para todos. Hoje em dia, Johan, seus filhos e voluntários mantém um centro de arquitetura intuitivo de grande renome e aspiram a maior autonomia possível.

Texto & fotografias de Benjamin Béchet. Tradução: Sabrina Gander

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